"Às vezes, o amor é assim, a primeira vista."
As margens do pequeno riacho de San
Juan no Colorado, os animais estão agitados. O corpo de cada um emite um sinal
de perigo, aquele sinal de que algo realmente esta errado.
E em segundos, um ruído muito alto
atravessa a mente de cada um, e como um sopro, some e no céu uma luz branca,
aparece. Em meio à escuridão, ele é jogado contra ao chão, nu, e inconsciente e
ali, se abre um grande buraco na terra... Algo inexplicável acontece... Ao
invés de medo, tudo parecia calmo, e sereno... E aos poucos, o lugar foi tomado
pela escuridão novamente.
**
P.O.V Madison
-Mad? O que foi? - mamãe olhou em minha direção e eu senti meu
corpo todo tremer. Era um calafrio estranho.
-Nada... -disse me recuperando. - Só
tive uma sensação estranha...
-Hm, tem certeza que esta bem
filha? Trabalhar naquela lanchonete pode estar te fazendo mal...
-É claro que estou mãe... -sorri.
Ela era sempre preocupada. - Eu adoro trabalhar lá, e o dinheiro que consigo
vai para o meu fundo da faculdade, você sabe...
-Eu sei, mas... - a interrompi.
-Já discutimos isso mamãe.
-Filha, eu e seu pai não queremos
que você vá para longe da gente, será que você vai conseguir se manter? Ser
feliz, ou sei lá, sobreviver longe da gente?
-Nossa! Até parece que eu não
consigo mamãe! A senhora sabe muito bem que eu tenho capacidade para realizar todos
os meus sonhos, e mesmo que eu não tenha todo o dinheiro do mundo, vou juntar o
suficiente para conseguir me manter enquanto faço minha faculdade.
-Filha eu acho que... - a
interrompi novamente.
-Mamãe depois falamos sobre isso,
eu estou atrasada para o trabalho. - me levantei da mesa e dei um beijo em seu
rosto. - Até mais tarde, mande um beijo para o papai quando ele acordar.
-Pode deixar querida.
✝
-Bom dia Mad! - o senhor Brown
sorriu para mim enquanto eu entrava na lanchonete.
-Bom dia. - sorri de volta e fui
até ele para ajudar a arrumar as mesas.
-Você pode ir se arrumar menina hoje
você vai ajudar a servir os clientes.
-Servir? - olhei para ele confusa.
-Sim, acho que você esta preparada
para isso não esta?
-Estou. - disse um pouco insegura. -
Muito obrigada Sr.Brown! - ele sorriu e gesticulou para que eu fosse me trocar
e assim eu fiz.
Fui até a área dos funcionários e
peguei meu avental. O coloquei e arrumei meu cabelo em um coque. Lavei minhas
mãos e peguei o meu bloquinho para anotar os pedidos e voltei para ajudar o
Sr.Brown a arrumar as mesas.
Em menos de uma hora, os clientes
quase enchiam a lanchonete. Tinha de empresários que vieram fazer negócios na
cidade até estudantes do colégio ao lado. As segundas eram sempre movimentadas
e hoje não podia ser diferente. Eu estava sozinha para anotar os pedidos, e o
Sr.Brown sabia que eu dava conta do trabalho. Ele entregava os pedidos e Mike e
a Susi , os melhores cozinheiros que já vi, preparavam-nos.
Realmente era um lugar
aconchegante, e calmo. O Sr.Brown era um ótimo chefe e eu estava feliz de
trabalhar aqui.
Sentei-me um pouco para descansar e
vi que um cliente havia acabado de chegar. Ele se sentou. Nunca tinha visto ele,
e isso ficou mais claro quando vi seu rosto. Ele era tão lindo. Era muito
difícil ter meninos lindos assim aqui em San Juan.
-Você não vai atendê-lo? - ouvi a
voz do Sr.Brown atrás de mim e assenti com a cabeça, me levantando e indo em
direção a mesa que ele havia sentado.
-Bom dia, o que o senhor vai comer?
– assim que falei, ele me olhou e eu senti um calafrio percorrer o meu corpo,
como o de hoje de manhã. Seus olhos eram tão claros, tão intensos que chegaram
a me deixar sem graça. -Senhor? - repeti esperando que ele falasse algo, mas
ele ficou em silêncio. - Ahn... Então o senhor vai beber algo? - perguntei um
pouco envergonhada. Por que ele estava me olhando? Por que ele não me
respondia?
-Beber? - ele repetiu, fazendo com
que eu me encantasse por sua voz. Parecia tão... Serena.
-É, eu recomendaria o especial da
casa, que é um mix de achocolatado e... - fui cortada por um som e corei quando
percebi que era sua barriga resmungando que precisava de alimento.
-Eu acho que vou querer isso e... -
ele pareceu pensar olhando para as mesas ao lado. - Quero um misto quente.
-Ok. - anotei seu pedido e sorri
para ele. - Em minutos seu pedido estará na mesa.
Sai de lá e fui entregar o pedido
para a Susi.
Oh céus, quem é esse cara?!
Ele me parecia muito estranho... Muito...
Observador, talvez.
Quando entreguei seu pedido ele
pareceu realmente com fome ... Era algo muito estranho de se ver, aliás. Ele
parecia não saber comer... Mas estava bem vestido, não podia ser alguém pobre
não é?
Ele me pagou com uma quantia
considerável e me deixou uma boa gorjeta o que me deixou feliz.
E quando ele foi embora, ele me
lançou um olhar realmente mortal, que me deixou completamente sem chão, pois
ele parecia me comer com os olhos, se é que me intendem.
✝
Quando cheguei em casa no fim da
tarde eu estava morta. Meu corpo estava todo dolorido como sempre. Meus pais
ainda estavam no trabalho. Eles têm uma pequena loja no centro da cidade onde
vendem alguns materiais de construção. Andei até o meu quarto e fui tirando
minha roupa pelo caminho, assim que entrei no banheiro liguei o chuveiro e
comecei o meu banho.
Quando acabei vi que tinha começado
a chover, algo muito normal aqui em San Juan, pois é uma cidade muito quente é
costuma chover bastante. Coloquei o meu pijama e fui para a cozinha.
Eu ainda tinha que preparar o
jantar, pois minha mãe chegava cansada do trabalho. Peguei os ingredientes para
uma lasanha e assim que terminei a coloquei no forno.
Em seguida fui para a sala e liguei
a tv. Sorte a minha que estava passando
um filme, eu não estava a fim de ver jornal outra noite seguida. Minha tv não
esta lá essas coisas. Essas chuvas recentes fizeram que a antena entortasse e
os canais foram prejudicados, e como meu pai não pode subir lá em cima, estamos
esperando a boa vontade de alguém que possa arrumar para a gente.
Um trovão cortou o céu e eu
desliguei a tv rapidamente ouvindo que alguém estava batendo na porta. Andei
até lá e assim que abri, o vi. O mesmo cara da lanchonete. Ele estava ensopado.
Espera, ele esta me seguindo?!
-Oi. - ele disse tremendo seu
queixo. - Será que eu posso entrar? Minha casa fica longe daqui e meu carro
quebrou na estrada. - ele disse.
Eu devia o deixar entrar? Ele era
um estranho, e bota estranho nisso!
-Entra. - disse contrariando meus
instintos e assim ele fez.
Disse a ele para que ele esperasse
e subi para pegar uma toalha para ele e assim que voltei ele havia tirado seu
casaco e ficado apenas de camiseta, que não estava tão molhada assim.
-Aqui. - entreguei a toalha a ele e
ele agradeceu com a cabeça. - Qual seu nome? - perguntei e ele me olhou nos
olhos. Sorri sem graça. - Quer dizer... Eu te vi lá na lanchonete e eu percebi
que você não é da cidade...
-Eu não sou. - ele disse. - Meu
nome é Justin... Justin Bieber, e o seu?
-Madison Beer. De onde você é?
-Do Canadá. - ele respondeu.
Isso explica o fato dele não ser
bronzeado como o pessoal das redondezas.
-Deve ser legal lá... - eu disse e
ele estendeu o braço, me entregando a toalha.
-Muito obrigada pela toalha.
-Disponha. Quer se sentar para
esperar a chuva parar?
-Claro. - ele assentiu e eu me
sentei no sofá para que ele fizesse o mesmo.
Seus olhos me fitavam tanto... A
todo o momento ele parecia observar tudo...
Por que esse cara esta em San Juan?
O que ele faz aqui tão longe de sua casa?
Eram tantas perguntas em minha
mente. Ele sorriu para mim e eu me senti muito encabulada.
-Por que esta me
olhando?-perguntei.
-Eu acho que encontrei.
-Encontrou o que?
-O que eu procurava.
Continua...

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